Escrito por Marisol às 00h23
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ao lado da cama
sapatos em cadarços
amarram histórias,
e não sei se calço
ou descalço de vez
esses tantos vultos
(anônimo)

Sapatos
Num canto,
guardam os passos
e aguardam todos os caminhos.
Rita de Cássia Alves

SAPATOS NOVOS
Agora está tudo resolvido
Comprei ainda ontem um novo par de sapatos
São pretos, algo clássico
Posso usar em meu trabalho
Depois que nos casarmos
Só faltava isto
Posso procurar portanto, seu pai
E me declarar seu pretendente
Ganho pouco, é verdade
Mas sou direito
E trabalho no serviço público
Não tenho vícios
Gosto de tema bíblico
E não dou trela para desocupado
Sou homem de poucos amigos
Como todos os dias meu ensopado
Sempre na hora marcada
E não bebo tão pouco
Minha lida é da casa para o trabalho
Do serviço para casa
Vou viver para minha família
Por toda a minha vida
Lavorar como um leão
Sei que você é moça prendada
E vai dar conta do recado
Quero que no fim da vida
Cansado e de pijama listrado
Ficar lendo jornal
Deitado em meu velho estrado
Xande Rêgo

SONETO DE DESMANTELO AZUL
Então, pintei de azul os meus sapatos
por não poder de azul pintar as ruas,
depois, vesti meus gestos insensatos
e colori, as minhas mãos e as tuas.
Para extinguir em nós o azul ausente
e aprisionar no azul as coisas gratas,
enfim, nós derramamos simplesmente
azul sobre os vestidos e as gravatas.
E afogados em nós, nem nos lembramos
que no excesso que havia em nosso espaço
pudesse haver de azul também cansaço.
E perdidos de azul nos contemplamos
e vimos que entre nós nascia um sul
vertiginosamente azul. Azul.
Carlos Pena Filho

Sapato Velho
(Mu/Cláudio Nucci)
Roupa Nova
Você lembra, lembra, naquele tempo
Eu tinha estrelas nos olhos, um jeito de herói
Era mais forte e veloz que qualquer mocinho de cowboy
Você lembra, lembra,
eu costumava andar bem mais de mil léguas
Pra poder buscar flores-de-maio azuis
E os seus cabelos enfeitar
Água da fonte cansei de beber pra não envelhecer
Como quisesse roubar da manhã um lindo pôr de sol
Hoje não colho mais as flores-de-maio
nem sou mais veloz como os heróis
É... talvez eu seja simplesmente
Como um sapato velho
Mas ainda sirvo se você quiser
Basta você me calçar
Que eu aqueço o frio dos seus pés
Água da fonte cansei de beber pra não envelhecer
Como quisesse roubar da manhã um lindo pôr de sol
Hoje não colho mais as flores-de-maio
nem sou mais veloz como os heróis







Escrito por Marisol às 00h04
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